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Por que o inbound praticamente não funciona em FIDCs — e por que isso torna a estrutura comercial ainda mais importante

  • Foto do escritor: Ziffer Expertise Comercial
    Ziffer Expertise Comercial
  • 26 de mai.
  • 4 min de leitura

Atualizado: 28 de mai.

Em grande parte dos segmentos empresariais, marketing digital, campanhas de geração de leads e estratégias de inbound marketing costumam ocupar posição central na construção comercial das empresas.

No mercado de FIDCs e securitizadoras, porém, a lógica costuma ser diferente.

E existe uma razão importante para isso.


O paradoxo da originação no mercado de crédito estruturado

Na maioria dos mercados, quando um potencial cliente procura espontaneamente uma empresa isso é visto como oportunidade, demonstra interesse e normalmente é interpretado como um lead qualificado.

No mercado de antecipação de recebíveis, muitas vezes ocorre exatamente o contrário.

Quando um potencial cedente procura ativamente uma instituição financeira oferecendo operações de crédito, isso frequentemente gera cautela, desconfiança e maior necessidade de validação.

Isso acontece porque o mercado de antecipação possui ampla oferta de opções, é extremamente competitivo e historicamente convive com tentativas recorrentes de fraude.

Na prática, existem bancos, FIDCs, securitizadoras, factorings nas suas mais diversas operações ofertando crédito diariamente.

Por isso, quando uma empresa procura insistentemente uma operação financeira, muitas instituições passam naturalmente a questionar: "por que essa empresa não está sendo atendida por outros players?" ou "qual o histórico dessa operação?" cuja resposta será critério de análise para medir o nível de risco envolvido.

Especialmente em operações de cessão de crédito, a originação espontânea pode gerar mais perguntas do que segurança.


O inbound perde força — e o relacionamento ganha importância

Esse cenário cria uma particularidade muito interessante no segmento.

Diferentemente de outros mercados, campanhas massivas de geração de leads normalmente possuem eficiência limitada em operações de crédito estruturado.

Isso não significa que posicionamento institucional, conteúdo ou presença digital não sejam importantes. Mas significa que confiança continua sendo o principal ativo comercial desse mercado.

E confiança raramente é construída em um anúncio, em um formulário ou em um único contato. Ela normalmente exige relacionamento, recorrência, construção gradual e maturação comercial.

Por isso, em FIDCs e securitizadoras, o processo comercial tende a ser muito mais consultivo do que promocional.


O comercial consultivo se torna o centro da operação

Quando o inbound perde força, o papel do agente comercial ganha ainda mais relevância.

Mas não qualquer perfil comercial.

O mercado exige profissionais capazes de desenvolver relacionamento, conduzir diagnósticos, compreender operações financeiras, investigar contexto, levantar necessidades, ser empático mas assumir posição ao lado da instituição financeira acima de tudo. As verdadeiras oportunidades são desenvolvidas ao longo do tempo.

A venda em operações de antecipação raramente é imediata.

Na maior parte das vezes, o processo envolve múltiplas ligações, visitas, trocas de mensagens, envio de materiais, alinhamento com análise de crédito e construção gradual de confiança.

O ciclo comercial costuma ser longo.

E exatamente por isso organização comercial se torna indispensável.


A importância da constância na prospecção

Um dos maiores desafios comerciais em operações financeiras é a consistência.

Muitos potenciais cedentes não possuem urgência imediata e muito provavelmente já possuem algum vínculo comercial com bancos ou até mesmo, já operam com outros fundos e não enxergam motivo para mudança naquele momento.

Mas isso não significa ausência de oportunidade futura. No mercado financeiro, timing importa muito. Em muitos casos, o cedente somente entra em operação meses após o primeiro contato comercial.

Situações que acarretam redução de limite bancário, aumento de spread, falhas operacionais, concentração de carteira ou mesmo necessidade de crescimento podem alterar rapidamente o comportamento do cedente.

Por isso, o comercial que mantém constância, acompanhamento, relacionamento e presença recorrente, tende a estar melhor posicionado quando a necessidade efetivamente surge.


O risco da prospecção sem organização

O problema é que ciclos comerciais longos geram outro desafio: memória operacional.

Sem processo estruturado, muitos leads acabam sendo esquecidos ao longo do tempo.

Isso é extremamente comum em operações que não utilizam CRM e por isso

não possuem cadência definida ou dependem apenas da organização individual dos comerciais.

O resultado normalmente é perda de oportunidades ou follow-ups esquecidos. A ausência da continuidade gera baixa previsibilidade de originação (e acredite, muitos comerciais tem dificuldade de associar essa falta de organização com a meta não batida).

Sem ferramentas adequadas, essas oportunidades simplesmente desaparecem no processo.


CRM não é apenas produtividade. É continuidade comercial.

Em operações financeiras complexas, o CRM assume um papel muito maior do que apenas controle de contatos.

Ele funciona como:

  • organizador da inteligência comercial;

  • registrador do histórico;

  • centralizador das interações;

  • e ferramenta de continuidade operacional.

Especialmente em mercados onde o inbound é limitado, a venda é consultiva e o ciclo comercial é longo, o CRM se torna praticamente indispensável porque é essa ferramenta que vai permitir o comercial e seus gestores acompanhar o relacionamento que se está construindo com os prospects, e organizar os próximos passos.

Não menos importante, o histórico institucional fica preservado. Na saída de um comercial, a instituição não perde porque outro assume.

Sem esses registros - feito de forma organizada e sistematizada - boa parte da originação acaba dependendo exclusivamente da memória, da disciplina individual e da carteira pessoal de cada agente comercial.


Estrutura comercial não substitui relacionamento — ela potencializa

Existe um equívoco relativamente comum no mercado financeiro: acreditar que processos e ferramentas “engessam” o comercial.

Na prática, ocorre justamente o contrário.

Quando bem implementada, a estrutura comercial libera energia operacional, melhora organização, reduz perda de oportunidade e permite que o relacionamento seja conduzido de forma mais estratégica.

O objetivo não é transformar a venda consultiva em processo robotizado.

O objetivo é garantir consistência na construção de relacionamento.

Porque em operações financeiras complexas, relacionamento sem processo gera dependência e processo sem relacionamento gera frieza comercial.

As operações mais maduras conseguem equilibrar os dois elementos.


O futuro da originação será cada vez mais estruturado

O mercado de crédito estruturado continua amadurecendo.

Com isso, cresce também a concorrência, a necessidade de pulverização e a importância da previsibilidade comercial.

Nesse cenário, as instituições que conseguirem estruturar metodologia, processos e uso de inte inteligência comercial tendem a construir vantagem competitiva relevante.

Porque no fim, em FIDCs e securitizadoras, crescimento sustentável raramente nasce de campanhas massivas de marketing, ele nasce da capacidade de transformar relacionamento em processo contínuo de oxigenação de carteira.

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